Arquicast 070 – Urbanismo Tático

Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Aline Cruz (@alinecruzarquicast), Adriana Sansão (LabIT)

Você já deve ter ouvido falar no termo “urbanismo tático”. Apesar de recente, essa abordagem sobre o espaço público ganhou visibilidade nos últimos 10 anos e hoje há diversos exemplos sobre como intervir no urbano a partir de uma visão de curto prazo, baixo custo e alto engajamento social. Neste episódio, batemos um papo com a arquiteta carioca e doutora em Urbanismo Adriana Sansão, que tem um trabalho prático extenso e acumula pesquisas sobre o tema.

Entender quando surgiu o termo urbanismo tático e a abordagem metodológica que ele implica nos ajuda a compreender o porquê deste perfil de projeto urbano ter se tornado uma opção real e bem-sucedida de intervir na cidade. Como resposta alternativa e complementar à visão estratégica mais ampla sobre o território, pensar o urbanismo taticamente significa colocar “os pés no chão” e a mão na massa! Ao contrário do Planejamento Urbano e Regional, que trata da escala metropolitana e de seu desenvolvimento num horizonte de tempo maior, o projeto urbano cuida da escala aproximada do usuário e das dinâmicas que influenciam sua relação com a cidade no plano cotidiano. Tal redução da escala e aproximação com o cidadão possibilita respostas projetuais de intervenção mais imediatas e conectadas com a necessidade eminente da comunidade envolvida.

Visto por alguns autores como uma forma subversiva de se apropriar dos espaços públicos, o urbanismo tático pressupõe a participação efetiva da população na construção das soluções de projeto. O poder público muitas vezes é um parceiro da sociedade civil na construção desse processo, mas não é preponderante, uma vez que o movimento nasce de ações cidadãs, orientadas pelo profissional arquiteto e urbanista, que por sua vez atua como um mediador entre os diferentes atores sociais envolvidos. Através de uma visão “bottom-up” dos processos, a colaboração entre os atores e agentes do espaço é a tônica desta prática e o que garante seu caráter democrático.

Outra característica apontada pela convidada e que define a abordagem tática é o baixo custo de implementação das soluções projetuais. Buscando muitas vezes na própria comunidade e no seu entorno imediato os meios financeiros e sociais para realizar a intervenção, o urbanismo tático aposta em uma visão experimental do projeto, entendendo e assumindo sua transitoriedade mais do que seu caráter de permanência, como é comum ao objeto arquitetônico. Não que toda intervenção tática seja temporária, mas trabalha com o fator tempo de forma dinâmica e compreende que o desenho precisa ser apropriado e alterado pela população para que seja efetivamente adotado por ela.

Num momento em que a participação popular nas tomadas de decisão sobre a cidade parece consolidar-se culturalmente, são muito bem-vindos os exemplos de engajamento capazes de promover mudanças efetivas na qualidade de vida dos cidadãos. Ouça o cast para saber um pouco mais sobre esta e outras ferramentas de transformação da cidade!

Link para matéria no ArchDaily


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