Arquicast Especial – Arquitetura e Cinema: NEW LIFE S.A.

O primeiro filme brasileiro a fazer parte da nossa série Arquitetura e Cinema, New Life S/A é também a estreia do diretor recifense André Carvalheira na direção de longas-metragens. O roteiro foi originalmente pensado por André para abordar a especulação imobiliária na cidade do Rio de Janeiro. Mas entre o argumento inicial e a oportunidade de realização do filme, André mudou-se para Brasília e a cidade passou a ser objeto de interesse e de escrutínio do olhar poético do diretor. A construção e a venda do condomínio residencial New Life S/A são o pano de fundo desconcertante que nos permite olhar para a produção da cidade com olhos bem abertos. Participam da conversa o próprio diretor, e a jornalista especializada em cinema, Janaina Pereira.

A questão imobiliária já havia sido abordada por André em outros projetos, mas a cidade de Brasília trouxe certa inquietação para o diretor, pela expansão urbana desenfreada e desigual, tão visível para quem habita a cidade para além do cartão-postal. A capital, que conta a história do projeto modernista brasileiro idealizado e tornado real pelos traços de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, também revela a realidade de uma geografia social frágil e distante da imagem de um país comprometido com o progresso.

O arquiteto retratado no filme é visto inicialmente como um profissional idealista, que carrega certa utopia e desejo de mudança, sendo uma personagem fundamental para a trama, assim como políticos e empreiteiros. Sua inocência inicial, entretanto, não o impede de participar de esquemas escusos e jogos de poder tão habituais nas grandes cidades, especialmente naquelas que concentram influência política e econômica como Brasília.

Naturalmente, o ambiente político da capital permeia todas as ações que se dão no campo ampliado da arquitetura e da construção civil, e toda uma hierarquia social se faz presente na tensa relação entre os diferentes personagens: arquiteto, pedreiros, mestre de obras, engenheiros e até publicitários. Na busca de viabilizar a construção de um condomínio residencial de alto padrão, problemas com remoções e invasão de áreas de preservação trazem para a cena profissionais envolvidos nas diferentes instâncias administrativas responsáveis pela liberação de projetos e pelo próprio planejamento do território. E, neste momento, o arquiteto passa a ser apenas mais uma peça do quebra-cabeça, envolvendo políticos influentes e poderosas figuras do judiciário. O cliente é o personagem que menos interessa nesta história.

É um enredo bastante familiar para brasileiras e brasileiros, mas causa incômodo a naturalidade com que aceitamos o desenrolar da história. Usando de uma narrativa sarcástica a fim de enfatizar este desconforto, o diretor acerta em cheio ao desmitificar a imagem do arquiteto como o gênio criativo, colocando-o num lugar de crise necessário para a reflexão sobre nosso papel na construção deste contexto desigual e excludente.

A desigualdade social e econômica marca presença nas relações de trabalho no canteiro de obra, nas relações familiares simuladas na produção publicitária do empreendimento, no contexto urbano onde está inserido o condomínio. E em todos estes momentos está presente também uma arquitetura e um modelo de cidade que colaboram para esta realidade.

Muitas outras nuances são debatidas no filme, por isso não deixe de assistir e depois vir conversar com a gente. Bom cast e até a próxima!


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