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No episódio de hoje, Adilson (@smurfjf), Rapha (@_rapha) e Lili (@lilocacruz) convidam o sociólogo Paulo Roberto Leal (UFJF) para discutir sobre a polêmica gerada pela disciplina optativa “Casa Grande” oferecida pela UFMG no curso de Arquitetura e Urbanismo e suas repercussões.


Confira a trilha completa no Spotify | escuta lá!


Comentados no episódio:

  • Matéria do jornal O Globo
  • Matéria Nexo Jornal
  • Programa da disciplina em questão | UFMG
  • Nota oficial do DAEA UFMG | Facebook
  • Filme: “Que horas ela volta?” (2015) | Adoro Cinema
  • Palestra Ciro Pirondi: “O ensino da arquitetura ou a crise silenciosa” | Youtube
  • Livro: “Arquitetura em Diálogo” (Zaera-Polo, Alejando)| Archdaily
  • Livro: “Carnavais, Malandros e Heróis” (Matta, Roberto) | Saraiva

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One thought on “Arquicast 030 – A polêmica disciplina “Casa Grande” na UFMG”

  1. Olá, parabéns pelo podcast. Queria apenas pontuar a observação de que talvez os estudantes tenham perdido a oportunidade de criticar a disciplina não só pelo manifesto mas pela própria prática da arquitetura. Parece-me que em um caso como esse, simplesmente não dá pra fugir da velha máxima tafuriana, por mais datada que ela possa parecer: assim como não pode haver economia política de classe, apenas crítica de classe à economia política, também não pode haver arte, estética ou arquitetura de classe, apenas crítica de classe à arte, à estética, à arquitetura, etc.

    Parece-me que insistir na disciplina nesta perspectiva fatalmente levaria a duas soluções: uma cairia numa adaptação pragmática à ordem vigente, aberta no máximo a um “melhor” ou supostamente mais “humano” agenciamento de espaços que, no entanto, permanecem em última instância simbólicos de relações desiguais de poder e de opressão. O resultado seria um pouco como a casa de vidro dos Bardi: ainda que as dependências de empregados sejam aparentemente confortáveis, continua sendo o (violento) resquício de uma senzala nos “fundos” da casa grande aburguesada, em meio a uma grande propriedade suburbana que permanece sendo o resquício de um fazendão.

    A outra abordagem possível, talvez até interessante, seria a da “paper architecture”, similar aos trabalhos de gente como Lebbeus Woods, sugerindo projetos experimentais com forte dose de sarcasmo que, no entanto, estariam mais próximos do universo da arte conceitual que da produção propriamente dita do espaço habitado. Ainda que de fato falte esta abordagem nas escolas de arquitetura, pode-se argumentar que mesmo nesse caso este programa sequer seria o mais interessante se o objetivo fosse esse tipo de experimentação.

    Em face disso, acho que a solução dos estudantes ainda me parece a mais adequada: apontar o problema e demonstrar o quão inadequada é a presença de uma disciplina dessas no currículo.

    É claro que há muito mais em jogo: tenho inclusive minhas dúvidas sobre a própria ideia de “consciência social” como objetivo dos cursos no interior de nossa estrutura social — sobretudo em nossa sociedade pós-golpe, em que até mesmo exposições de arte bastante moderadas têm sido violentamente censuradas. Estudei na FAUUSP na segunda metade da década passada e experimentei um bom curso bastante voltado a questões como segregação urbana, habitação de interesse social, etc (mesmo nas sequências de disciplinas de projeto de arquitetura, por exemplo, normalmente mais conservadoras, todos os projetos residenciais trabalhados eram sempre de interesse social ou de mercado popular). No entanto, nada disso fazia desaparecer o vergonhoso fato de que a FAU chegou a ser a mais elitista de todas as escolas da USP (até mesmo mais do que a exclusivíssima Medicina). Em quase oito anos de graduação, por exemplo, posso contar nos dedos de uma mão a quantidade de estudantes negros com quem convivi.

    Enfim: em face de um racismo estrutural tão violento e de uma sociedade tão excludente, acho difícil discordar da abordagem tafuriana que considera ingênua qualquer “vã” tentativa de dotar a prática arquitetônica de um projeto social supostamente transformador.

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