Arquicast 073 – 11 maneiras de se tornar um(a) arquiteto(a) melhor

Participam: Adilson Amaral (@adilsonamaral), Rapha Rodrigues (@_rapha), Aline Cruz (@alinecruzarquicast) e Ana Paula Capellano (facebook)

O cast da quinzena traz um papo leve sobre um assunto de total interesse do arquiteto. Inspirados na matéria publicada no Archdaily “11 maneiras de se tornar um arquiteto melhor (sem fazer arquitetura)”, convidamos a jornalista Ana Paula Capellano para divagarmos sobre formas não convencionais de adquirirmos habilidades gerais que podem ser aplicadas ao universo da arquitetura e urbanismo. Discorremos sobre os 11 tópicos propostos pelo texto compartilhando nossas experiências pessoais e, naturalmente, algumas divertidas discordâncias.

Entre as sugestões no campo do audiovisual, a reportagem de Ariana Zilliacus sugere jogar videogame e assistir TEDTalks como formas de lazer que repercutem positivamente no aprimoramento do arquiteto. Os games fazem parte da vida cotidiana de toda uma geração de jovens e requerem habilidades monitoras e cognitivas no engajamento com o usuário. Seja na concepção de espaços irreais/imaginários, seja na exigência corporal que demanda reflexos rápidos e capacidade de tomada de decisão. Os talks também vem se tornando uma ferramenta de aprendizagem bem-vinda para o arquiteto. Também pelo conteúdo específico que venha a abordar, mas, mais ainda, pela capacidade de síntese que demanda do orador, que tem poucos minutos para introduzir, desenvolver e concluir sua temática, e precisa, ainda, cativar a plateia exigente que o assiste. Portanto carisma, síntese e retórica são qualidades apreendidas também por quem assiste.

Os tópicos 5 (Desmontar coisas), 6 (Pintar e Fotografar) e 11 (Tocar algum instrumento musical) poderiam ser reunidos aqui pelo fato de representarem possíveis hobbies que vão muito além de simplesmente ajudar a passar o tempo. São atividades que demandam concentração multifocada – para desempenhar mais de uma ação ao mesmo tempo – persistência e sensibilidade. 3 características fundamentais ao bom desempenho do arquiteto e urbanista.

Já os itens 7 (Oferecer jantares) e 8 (Viver na Natureza) abordam oportunidades de aprendizagem quase opostas, porém complementares, e ambas podem fazer parte do cotidiano das pessoas sem requerer grandes adaptações. Ou seja, podem ser colocadas em prática hoje mesmo! Os espaços de intimidade que as oportunidades que alguns encontros sociais oferecem servem tanto às habilidades de comunicação e engajamento, quanto às que envolvem domínio técnico da pequena escala, como iluminação adequada, composição da mesa e do cenário, entre outros investimentos que se possa fazer para receber com qualidade e diferencial. Viver na natureza, por sua vez, faz lembrar à consciência da importância da vida equilibrada, do bem-estar relativo ao contato com o meio ambiente natural e de sua eminente fragilidade.

“Viajar com pouco dinheiro” (9) e “Ser voluntário em projeto social” (10) trazem para o debate a importância de uma consciência social do papel do arquiteto e da necessidade de se estar próximo da realidade das pessoas para melhor compreender suas culturas e demandas. São formas de sair de nossa “bolha social” e exercitar a empatia para com o outro e seu contexto. Habilidade mais do que necessária à contemporaneidade.

E claro, o tópico (2) “Ler literatura de ficção” naturalmente faz referência ao hábito da leitura não especializada como forma de ampliar os horizontes culturais e criativos do arquiteto. Dentre essas formas, foram mencionadas a capacidade de entender os diferentes perfis psicológicos e culturais das pessoas, a partir da criação de personagens; a capacidade de recriar imageticamente cenários e lugares descritos verbalmente nas histórias; e a capacidade narrativa de engajamento com o leitor. Quer saber mais sobre nosso ponto de vista a respeitos desses temas? Não deixe de ouvir! Até a próxima!

Link para matéria no ArchDaily


Comentados no episódio:




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3 Comments

  1. Daniel Chéquer
    junho 6, 2019
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    Sobre o primeiro tópico do cast lembrei imadiatamente do jogo Dwarf Fortress, extremamente desconhecido e que exercita bastante a imaginação arquitetônica de uma forma muito complexa para um jogo. Enquanto você precisa cuidar do objetivo principal que é administrar uma fortaleza, você constatemente precisa lidar com a criação de espaços de diversos tipos (hospitais, tavernas, templos religiosos etc.) nos mínimos detalhes, por exemplo: enquanto em um jogo comum você simplesmente seleciona um hospital e coloca ele prontinho aonde você quer, em Dwarf Fortress você precisa delimitar o espaço, dizer exatamente quantas camas, mesas de operação, contêineres e mesas você quer, além de ter a liberdade de especificar todos os materiais desde o piso até o mecanismo da mesa de operação. Ele também exige que certas construções sejam previamente planejadas por um arquiteto, o que impacta na avaliação estética. Um excelente exemplo de como pensar em arquitetura fora do seu próprio ambiente.

  2. junho 10, 2019
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    O “passo para trás”, no meu entendimento, era em relação a conhecer o passado. Lucio Costa disse “conhecendo a fundo o passado, ser atual e prospectivo”: quer dizer que no modernismo eles faziam “releitura” de vários elementos presentes no contexto histórico e cultural do local, mas de forma atual e dentro dos conceitos do modernismo. Isso quer dizer que o “passo para trás” é importantíssimo e não faz sentido discordar disso: além de entender o contexto atual, precisamos entender como chegamos a ele, para então poder dar o “passo à frente”.
    A pergunta é bem interessante e ampla, daria pra escrever um livro inteiro só explorando esse assunto… Um exemplo mais da minha área do mestrado (conforto térmico) seria o resgate de recursos da arquitetura vernácula para fazer o projeto de uma edificação com condicionamento passivo, eficiência energética… A arquitetura bioclimática, enfim: muito se pode aprender com a arquitetura de tempos em que não havia ar condicionado, por exemplo.

  3. junho 13, 2019
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    Saaalve arquicasters e gameiros… =D
    Primeiramente, quero pedir desculpas. Já que na minha breve participação no cast acabei confundindo duas leituras que fiz em simultâneo, a que já foi colocada na descrição do post – o belo artigo da Ana Elísia Costa – e a dissertação sobre Casa Pátio de Carlos Viegas Rebelo Peres (segue o link para quem quiser acessar https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/80250/2/23504.pdf).
    Sobre o episódio, me identifiquei com muitas das coisas que foram apontadas por todos. Sou publicitário de formação e atuo com diretor de arte há alguns anos, e optei pela arquitetura para ampliar o repertório e estou realmente encantado com o que venho descobrindo a cada semestre na faculdade e na vivência fora dela.
    A construção do nosso repertório passa por diversas fases e, em um determinado momento, precisamos escolher construir nosso repertório, já que com a enxurrada de informações as quais somos expostos na atualidade, muito do que poderia se tornar repertório passa reto e dá acesso ao vídeo do cachorrinho ou gatinho fofos. A construção dessa rede de informações visuais, textuais etc. deve ser totalmente consciente, buscando-se observar os detalhes. Quando fala-se em Vivenciar a Natureza, acredito que devamos vivenciar a vida fora do celular, já que é ali que nossos olhos passam muito tempo fixados.
    Agora, a frase que marcou o cast foi “Meu filho, vai sentar no computador e desenhar uma planta baixa”, assumo que ri alto aqui quando o Rapha soltou essa proeza… rs
    Muito obrigado por sempre nos oferecerem conteúdo de qualidade e enriquecedores para nossa formação como profissionais e pessoas mais críticas (o que acho o mais importante, só acho… =D).
    Grande abraço!

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