Arquicast 088 – Como funciona um coletivo

Certamente você já ouviu falar em coletivos, co-working e outros formatos de escritórios colaborativos. O programa disponível a partir desta semana trata deste assunto, bastante pertinente na contemporaneidade, especialmente para as gerações recém-chegadas ao mercado de trabalho. Os coletivos são aqueles espaços que reúnem diferentes escritórios, com objetivos semelhantes, para produzir arquitetura e pensamento sobre a cidade.

Para além da questão de viabilidade financeira e networking, dividir o espaço de trabalho também é uma maneira de agregar pessoas em torno de ideais afins para a realização de projetos comuns. E é este o sentido que nossos convidados procuraram dar quando decidiram trabalhar juntos na construção desse modelo de negócio. Conversamos com os sócios Domitila Almenteiro e Pablo de Las Cuevas, do Muta Arquitetura, e com a graduanda em Ciências Sociais, Sylvia Bomtempo. Junto com outros parceiros eles fundaram a Casa de Estudos Urbanos, no Rio de Janeiro, que abrigou o grupo até o final de 2018.

A história dos jovens arquitetos reflete uma realidade comum a muitos recém-formados: uma empatia entre colegas com objetivos de vida parecido e uma vontade de fazer arquitetura de forma mais consciente, com processos mais participativos e que repercutissem socialmente, ajudando a transformar o cotidiano de nossas cidades e seus cidadãos. Este desejo de transformação é natural à mente mais aberta de quem acabou de entrar no mercado de trabalho e que sabe que há muito por fazer na construção de espaços mais justos e acessíveis a toda população. Mas por onde começar?

Boa parte da conversa aborda as características desta forma de organização, materializada na Casa de Estudos Urbanos, que permitiu aos arquitetos unir esforços em prol de um comprometimento em realizar não só a arquitetura para o cliente formal, mas também ações temporárias de ativação do espaço urbano, buscando estimular na população um sentido de urbanidade compartilhada, tão ausente do convívio das pessoas com os espaços públicos.

Dividir espaço físico e custo é uma maneira pragmática de viabilizar a base necessária para a criação de projetos, mas não garante por si só a sustentabilidade financeira do empreendimento. E, portanto, foi preciso equilibrar os tipos e as quantidades dos projetos para que a receita pudesse cobrir as contas e também o desejo de atuar socialmente através da transformação do espaço físico da cidade, ainda que com eventos e intervenções temporárias. Neste sentido, a parceria com escritórios e profissionais de diferentes áreas, uma característica deste modelo de negócio, atua a favor da realização desta dupla vocação, na medida em que amplia as formas de colaboração, integrando diferentes atores e capacidades. Até a próxima!


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