Arquicast 090 – O que é BIM

 

A arquitetura e o urbanismo do século XXI tem em mãos inúmeras tecnologias que auxiliam arquitetos e planejadores a pensarem o espaço. Atualmente, inovações como  realidade aumentada, renderizações hiper-realistas, impressão 3D, entre outras, fazem parte do cotidiano da profissão. Mas é possível que nenhuma delas influencie tanto o processo de projeto como a tecnologia BIM, sigla para Building Information Modelling (ou a Modelagem da Informação da Construção). Sua aplicação impõe aos arquitetos uma nova maneira de abordar a construção de nossas edificações.

Como convidados, José Ricardo Munch, arquiteto, BIM manager, professor e coordenador de Pós-Graduação. Trabalha como consultor na implementação do BIM em empresas de projeto e construtoras. Além dele, Maria Fernanda Moraes, arquiteta, mestranda em Gestão do Ambiente Construído, com dissertação focada no aparelhamento BIM em empresas de projeto atuantes no setor de Licitação Pública.

Um dos erros mais comuns – e induzido pela própria nomenclatura – é associar o BIM ao projeto exclusivo do edifício. Pensar em building como tradução do edifício ou da construção é reduzir o entendimento do escopo que a tecnologia oferece ao arquiteto e demais profissionais que lidam com a execução de projetos. O BIM vai além de auxiliar na representação e no raciocínio construtivo do objeto. Ele opera uma gestão de processos complementares e, por consequência, uma gestão das pessoas envolvidas de forma colaborativa e integrada.

A tecnologia dá suporte a esses processos e permite a interdisciplinaridade entre os diferentes campos do saber envolvidos na concepção. E pela natureza como as informações são inseridas, a fim de alimentar um banco de dados que dará forma à uma ideia, esta mesma tecnologia acaba por interferir na dinâmica tradicional de faseamento do projeto, demandando uma revisão das etapas e de seus respectivos escopos.

Um exemplo disso é o aumento do tempo gasto nas etapas preliminares, onde se dá a fase de experimentação e a qual se prolonga até a decisão por uma determinada solução.Inversamente, o projeto executivo ganha agilidade e passa a consumir menos tempo, uma vez que os desenhos vão sendo detalhados e automaticamente compatibilizados nas etapas anteriores.

Para quem ainda não se familiarizou com o tema, é bom se preparar: o uso do BIM será obrigatório a partir de 2021 para participação em editais de obras públicas! Portanto, comece por aqui (link) Ouça o cast e entenda um pouco mais sobre a tecnologia que vem revolucionando a forma como pensamos e produzimos projetos. Até a próxima!


Comentados no episódio:

  • Under Construction

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2 Comments

  1. novembro 7, 2019
    Reply

    Gente, antes de tudo, parabéns pelo programa.

    Aqui é Gabriel — participo também de um podcast de arquitetura, o Fora de prumo.

    Não propriamente discordando das colocações apresentadas no programa, queria propor outros ângulos para olhar para o assunto.

    Ainda que os convidados tenham deixado claro e alertado que BIM não pode ser considerado panaceia ou solução milagrosa nem deve ser reduzido a uma plataforma tecnológica, essa é ainda atitude comum por parte de muitas pessoas. Mesmo com o alerta feito, contudo, ainda senti um leve ar de tecnodeterminismo ou tecnopositivismo por parte dos convidados, sobretudo quando a conversa adota palavras problemáticas como “disruptivo”, “quebra de paradigma” e similares. E nesse caso vejo dois problemas: 1. por que naturalizamos a positivação da suposta mudança ou quebra de paradigma? 2. será que existe DE FATO uma mudança?

    Minha intenção aqui não é soar ludita ou qualquer coisa parecida — longe disso. Também fico fascinado por novas possibilidades de ação que novas proposições metodológicas e tecnológicas sugerem.

    Nesse caso, vejamos:

    2. será que existe mudança de fato? — e estou pensando no cenário da indústria da construção civil brasileira. Parece-me que ainda construímos da mesma forma: mobilizando um imenso exército industrial de reserva, explorando ao máximo a mais-valia da força de trabalho da construção civil e resistindo o máximo possível a processos de “industrialização” da arquitetura, já que permanece mais barato continuar usando força humana para levar tijolos até o trigésimo andar que adotar formas mais “avançadas” (enfim, a famosa dicotomia canteiro x desenho feita lá nos anos 60, apesar das mudanças superficiais, parece ainda válida). Não me parece que o BIM vai alterar esse cenário: se por um lado ele se presta bastante à racionalização e industrialização do processo construtivo, de outro nossa construção não parece particularmente interessada em avançar nesse quesito. Ao contrário, talvez o BIM simplesmente aprofunde a exploração, tornando-a muito mais quantificável. Seria o BIM o instrumento de disciplinamento perfeito: controle e vigilância total dos corpos nos canteiros de obras?

    1. se não parece haver mudança de paradigma produtivo no canteiro, o que os elementos de mediação novos em relação aos antigos (modelos e bancos de dados em oposição aos velhos desenhos feitos em cad) representam de fato enquanto mudança positiva não no canteiro, mas no espaço de produção dos projetos? Talvez eles permitam igualmente uma maior quantificação e racionalização (em sentido negativo, nesse caso) do controle de corpos e de trabalho dentro dos escritórios, facilitando a transformação em mercadoria dos saberes técnicos especializados (e, portanto, de sua exploração e maior extração de mais-valia). Seria o BIM o novo paradigma da caixa preta na produção de projetos de arquitetura?

    Como disse: nada de ludismo. Acho fascinantes as novas possibilidades de projetação e integração de saberes técnicos distintos — sem falar nos ganhos de transparência para obras públicas. Mas também, nada de ingenuidade.

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