Arquicast 136 – Entrevista: Laurent Troost

Algumas denominações costumam aparecer na descrição do trabalho deste arquiteto belga, que há 12 anos vive e atua no Brasil. É comum ver seu nome associado a termos como arquitetura amazônica, regionalismo e sustentabilidade. Entretanto, Laurent Troost busca fugir dos rótulos e, com extrema honestidade, conversa com a gente sobre o que realmente o motiva no desenvolvimento de cada projeto.

À frente do premiado estúdio que leva seu nome, com projetos como a Casa Campinarana, ganhador do Dezeen Award 2019, e o edifício Manga, finalista do Prêmio Akzonobel Tomie Othake 2020, o arquiteto ressalta a importância de valorizar o contexto real de cada obra, entendendo-o como um conjunto de informações de diferentes naturezas – físico-territoriais, climáticas, políticas, orçamentárias. De acordo com o belga, mais do que ser sustentável, é preciso que o projeto valorize a mão-de-obra e o saber fazer local, evite desperdícios e seja responsivo às qualidades ambientais do lugar. E essa sensibilidade se reflete em suas obras, reconhecidas internacionalmente, e em seus trabalhos junto à Prefeitura de Manaus, como Diretor de Planejamento Urbano entre 2013 e 2020.

A história de Laurent com o Brasil, apesar de não ser recente, é posterior a uma atuação significativa junto à importantes nomes da arquitetura mundial. Quando na Europa, após a sua formação pelo Institut Supérieur d’Architecture Intercommunal Victor Horta, em Bruxelas, trabalhou para o Office for Metropolitan Architecture, de Rem Koolhaas, através do qual pode assumir a frente de grandes projetos em diferentes países. Apesar de todo conhecimento adquirido, Laurent comenta sobre dificuldades em se adaptar ao sistema de trabalho de um escritório desta magnitude, enriquecendo nossa conversa com suas experiências pessoais e visão de mundo.

Mas foi em Manaus, para onde veio por motivos pessoais, não relacionados à profissão, que Laurent pôde desenvolver as habilidades que hoje marcam a sua produção e lhe conferem tamanha originalidade. Como ele mesmo coloca, não foi simples compreender a dinâmica de projetar na “periferia do Brasil”. Apesar de capital do estado do Amazonas, centro financeiro e cultural da região Norte e cidade mais populosa da Amazônia Brasileira, Manaus se caracteriza pelos desafios impostos pela localização pouco acessível à indústria da construção civil tradicional e pelos contrastes sociais típicos das metrópoles latino-americanas. Parte do que qualifica o trabalho de Laurent é consequência da necessidade de superar tais dificuldades com criatividade e muita racionalidade para equacionar intenção projetual e possibilidade executiva.

Outro fator extremamente importante para Laurent é a pesquisa de referências projetuais adequadas ao contexto amazonense. O arquiteto cita diretamente o belo trabalho de Armando de Holanda, no desenvolvimento do guia “Roteiro para Construir no Nordeste”, como um exemplo de conhecimento aplicado à situação local, muito mais pertinente de ser apropriado por quem projeta na região amazônica do que referências de projetos desenvolvidos para o sul e sudeste do país, com características bioclimáticas e culturais bastante diversas das do norte.

Com tanta informação em formato de conversa boa, este episódio está imperdível. Até a próxima!


Dicas e comentados no episódio:


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